Críticas

Outro ponto negativo é o elenco, salvo a atuação de Sam Worthington, que revela grande talento e de fato convence pelo personagem que é. Iniciante nas grandes produções, o ator se destaca e toda vez que entra em cena chama a atenção para si, seja desferindo socos nos momentos de fúria ou demonstrando afeto pelo próximo. Nem todo charme e carisma foram levados. Worthington cadencia no papel o espírito do longa, superando em qualidade o brilho de Bale, com seu tímido John Connor.
De asas abertas do sucesso “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, Bale não se apresenta de forma convincente. Mesmo com todos os gritos e sempre na linha de frente do combate, não está a altura do único revolucionário capaz de salvar o futuro da humanidade. Também não esteve mal, apenas não transformou a escuridão que acostumamos a ver na determinação que seu novo personagem pede. O elenco secundário desempenha bem seu papel, que é realmente o de fazer número. Não que esta seja a real função dos coadjuvantes, mas neste trabalho ficou claro que era esta a intenção do diretor. Alguns até desnecessários, como a jovem criança muda que acompanha Reese e a esposa grávida de Connor. Em momentos chaves da narrativa, suas presenças só aumentam o dramalhão da deslocada trama.
Mas nem tudo são pedras. O tratamento de áudio, a música e os efeitos especiais são notáveis. Como qualquer um irá perceber logo no início, as explosões e grandiosidades nos andróides comprovam o orçamento de US$ 200 milhões de dólares. A maquiagem é excepcional e os efeitos visuais de primeira linha. A equipe não se esqueceu de nenhum detalhe e traz uma realidade povoada por máquinas para bem perto, quase real. A revolução de Stan Winston nos “Exterminadores” anteriores continua presente neste. As criaturas tiveram o tratamento do lendário designer. Inclusive, este foi seu último trabalho antes de seu falecimento, fato registrado pela dedicação do longa-metragem a sua memória.
A música composta por Danny Elfman, outro integrante do panteão de Hollywood, é marcante. Logo na apresentação dos créditos, os ouvidos acostumados com seu trabalho já reconhecem a batida frenética. E falando em “ouvir”, aqueles que possuem uma audição mais sensível, se preparem, pois o som das armas, carros, motos, andróides, bombas, enfim, tudo aquilo que foi feito para fazer barulho, realmente faz. Somados às cenas desérticas ou entupidas de destroços e corpos, os sons provocam a sensação de uma real guerra. No campo visual e auditivo do público o filme satisfaz com louros.
“O Exterminador do Futuro: A Salvação” é um filme de mediano para baixo. McG erra em apostar no carisma de Bale para sustentar a franquia. Os tempos são outros. Na década de 80, Schwarzenegger veio ao mundo pelo original e pela continuação. No entanto, aqueles eram tempos em que músculos e explosões atraiam o público. Atualmente, inúmeros fatores são necessários para emplacar e fazer alguém sair com um sorriso no rosto da sala de cinema. Se em décadas atrás o ponto marketing não era tão visado, hoje é fundamental. Suspense e emoção a cada trailer, pôsteres colocando os inimigos frente a frente e a dúvida sobre a presença do “exterminador pai”, prova de que um banner espetacular não reflete o conteúdo de seu produto.


























